Blogs em Destaque: Carol’s Adventures in Translation

Descubra como o blog pode ser um importante canal de comunicação para o trabalho de tradução

Em Agosto de 2013 Caroline Alberoni criou o Carol’s Adventures in Translation, para contar um pouco da sua vida de tradutora e compartilhar histórias inspiradoras, na entrevista abaixo concedida por e-mail Carol contou um pouco de como tudo isso começou e como ela equilibra o tempo dedicado ao blog e sua vida profissional.

Como surgiu o Carol’s Adventures in Translation?

Desde que comecei a trabalhar com tradução, em 2010, senti a necessidade de ter um blog. No entanto, sempre achei que não tinha o dom da escrita (continuo não achando). Como tradutora, recrio textos de um idioma para outro, não os crio do zero. Portanto, sempre achei que não tivesse a criatividade necessária.

Com o tempo, comecei a me inspirar, e o momento decisivo foi minha participação em um evento de tradução. As pessoas que não participaram queriam saber mais sobre as apresentações. Achei que seria uma boa oportunidade de começar.

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Como você vê essa questão de obras traduzidas por fãs que acabam virando material de pirataria?

Como tradutora profissional formada na área (sou bacharel e mestre), não é surpresa que eu seja contra a tradução não profissional e a pirataria. Em termos práticos, não acredito que isso influencie muito o mercado, no sentido de que o público desse material pirata não é o mesmo público do material profissional e jamais gastaria com materiais profissionais, assim como o público de materiais profissionais não confia e não recorre a produções piratas.

Essa prática prejudica a percepção da profissão, que, na verdade, nem é vista como tal por muita gente, que acredita que qualquer pessoa com conhecimento mínimo de outro idioma possa ser tradutora. Como a profissão não é regulamentada e não exige qualificação, é verdade que qualquer um pode ser tradutor, o que resulta em traduções (aqui englobo todas as subáreas, como interpretação, legendagem, tradução para dublagem, interpretação de Libras, etc.) malfeitas.

Assim como não desejamos ter um dente mal tratado, uma doença mal curada, uma aula mal ministrada, o mesmo ocorre com a tradução, que requer qualificações como qualquer outra profissão. Essa percepção pode melhorar com o tempo se reconhecermos a importância do profissional de tradução, tanto ao ler um livro traduzido e assistir a um filme legendado por profissionais quanto ao contratar o serviço de profissionais, em vez de recorrer a outras fontes.

Como é feita a seleção de convidados para colaborar com o blog?

Há blogs que aceitam propostas de qualquer pessoa. Meu esquema é diferente: prefiro convidar quem eu acredite que possa contribuir para o blog, pessoas que conheço pessoalmente ou virtualmente. Normalmente, já sugiro o tópico. Em outros casos, peço para a pessoa sugerir alguns tópicos de interesse dela, e escolhemos juntas o mais adequado. Tento variar o assunto, na medida do possível.

Quando a ideia surgiu, em 2014, comecei convidando amigos talentosos e com muito a contribuir. Depois, fui ampliando o leque para pessoas que conheço em eventos e nas redes sociais. A escolha é cuidadosa, pois prezo o tempo restrito dos meus leitores.

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Como funciona sua rotina de publicação de textos?

Tenho três publicações mensais: todo dia 1º, a série de entrevistas Greatest Women in Translation (As mulheres mais brilhantes da tradução); todo dia 10, a série de publicações convidadas; e todo dia 20, um texto meu. Ocasionalmente, sem data fixa, publico traduções de publicações antigas feitas por voluntários. É claro que nem sempre é possível seguir esse calendário à risca, mas tento ser fiel a ele, na medida do possível.

Como também sou curadora de conteúdo dos meus canais de mídia social, leio muitos artigos de outros blogs, revistas, etc. Além disso, tento ficar sempre ligada ao que está sendo discutido por outros profissionais e participo de vários eventos de tradução, como congressos e simpósios. Isso tudo me ajuda a ter ideias para novos textos.

Como é o relacionamento com os leitores nas plataformas digitais?

Cada plataforma tem uma função diferente, de certa forma. O blog é usado para a criação de conteúdo escrito. O canal do YouTube foi criado para publicar os vídeos de dicas de português das transmissões que eu fazia pelo Periscope. Depois, criei o podcast, cujas entrevistas também são gravadas e publicadas no canal. O Facebook e o Twitter, uso para curadoria de conteúdo e divulgação de conteúdo próprio do blog e do podcast. Também uso o Twitter para publicar em tempo real sobre as apresentações das quais participo em congressos. O LinkedIn, uso para divulgação de conteúdo próprio e fins mais profissionais. Por fim, no Instagram, publico fotos, obviamente, tanto pessoais quanto profissionais. Portanto, não acredito que haja uma plataforma que funcione melhor que a outra. Tudo depende do ponto de vista. Se formos considerar o número de seguidores, o Twitter ganha: no momento da entrevista, eu tinha 2.413 seguidores. Se formos considerar o engajamento, o blog ganha. Ou seja, cada plataforma cumpre seu papel.

Meu ponto de vista é: se eu conseguir alcançar (e ajudar de certa forma) uma única pessoa com meus canais, terei cumprido meu papel. Portanto, não meço sucesso em termos de números, mas de resultados.

Quanto à dedicação, acredito que a curadoria seja o que tome mais tempo, pois preciso ler e analisar quais textos compartilharei, e as publicações são frequentes. No Facebook, publico duas vezes ao dia. No Twitter, além dessas duas publicações, tenho pelo menos uma extra, além dos retweets.

Como a visibilidade do blog afeta a sua vida profissional?

Sempre sou abordada em eventos por pessoas que me conhecem pelo blog. Acho isso fantástico, pois não temos noção exata do alcance da presença on-line. Além disso, como nem sempre as pessoas se engajam curtindo, comentando e compartilhando, é bom ter esse retorno, pois sei se estou no caminho certo ou não.

Meu último texto (em inglês), publicado dia 25, não fala sobre tradução em si; é sobre um tópico mais geral que se aplica a qualquer freelancer. É uma crítica ao endeusamento do trabalho em excesso (noites adentro, em fins de semana, sem férias), como se isso fosse sinal de sucesso e motivo de orgulho. Falo sobre a importância de trabalhar menos a fim de ter qualidade de vida. Fiquei extremamente surpresa e contente com o alcance que ele teve! Normalmente, as curtidas e os comentários são provenientes de colegas da tradução. Dessa vez, tive curtidas e comentários de pessoas totalmente aleatórias, mas relevantes. Não foi meu texto mais acessado, mas fiquei muito feliz pelo retorno que ele teve.

Por fim, esta entrevista também é um bom sinal de que meu blog é relevante. O mundo da tradução é, de certa forma, fechado, e esse alcance além das barreiras desse meu mundinho mostra que o Carol’s Adventures in Translation não é apenas mais um blog de tradução.

Quanto a trabalhos gerados pela visibilidade, isso já aconteceu, sim. No entanto, nunca medi de forma separada das mídias sociais, embora eu acredite que o blog desempenhe um papel importante nessa visibilidade, pois dá credibilidade a ela. Já tive indicações de trabalho de outros colegas, contatos novos e solicitações de consultoria de presença on-line.

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Por que você escolheu o WordPress.com?

Na época, foi o único nome de plataforma de qualidade que veio à mente. Nunca considerei outras e não me arrependo disso. Os recursos são ótimos e simples de usar.

Que dica você daria para quem quer trabalhar com ou escrever sobre tradução?

Muita gente diz que já há muitos blogs de tradução e que não precisamos de outros. Outras pessoas se perguntam sobre o que falariam, sendo que tudo já foi falado. Eu acredito que, por mais que o tema seja repetido, nossa visão e experiência tornam o texto exclusivo.

Leia muito! Essa é uma dica que serve para os dois casos. No caso do blog, pense bastante e amadureça a ideia. Em que você pode contribuir? Anote alguns tópicos possíveis. Tente começar a esboçar alguns textos. Depois que criar o blog, não o abandone. Escreva com frequência e esteja sempre atento às preferências e opiniões dos leitores.

No caso de começar a trabalhar na área, avalie se você tem as características necessárias: tem um domínio próximo do perfeito da língua portuguesa? Esse é o principal requisito. Tem um domínio excelente de outro idioma? Não basta ter estudado ou morado alguns meses no exterior. Sabe escrever bem? É capaz de trabalhar sob pressão e cumprir prazos curtíssimos? Embora não seja regulamentada e não exija certificação nem qualificação, é uma profissão como qualquer outra e deve ser tratada como tal. E, assim como qualquer outra profissão, a tradução requer dedicação, comprometimento, ética e profissionalismo, e não é para qualquer um. Se você acredita que pode ser tradutor nas horas vagas, pense bem.

Quer deixar algum comentário final?

Como tudo na vida, um blog requer dedicação e atenção. Se você já tem um, dedique-se a ele. Se ainda não tem, considere a possibilidade com carinho. De qualquer forma, sempre apoie os blogs existentes. Muitos deles, como o meu, não são monetizados; portanto, é um trabalho voluntário que ajuda e contribuir para a comunidade em geral. Ao apoiá-los, você estará, no mínimo, deixando o blogueiro mais feliz pelo retorno.


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4 Comentários

  1. celebrantedecasamentodiego

    Parabéns pelo trabalho.

  2. Felipe Calabrez

    Como meu blog pode aparecer nesta categoria em destaques da página oficial do WordPress Blog?

    • Edney "InterNey" Souza

      Oi Felipe, exatamente nesse momento demos um “break” nos blogs em destaque para explorar mais conteúdos que pode servir de referência no médio e longo prazo.

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