Blogs em Destaque: Raquel Rolnik

Descubra como a professora de arquitetura da FAU descobriu no blog e nas redes sociais um espaço de reflexão e troca com a comunidade

Raquel Rolnik é arquiteta e urbanista e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, também já foi relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU e diretora de Planejamento da Cidade de São Paulo entre outros fatos notáveis em sua carreira.

Ela atendeu nosso pedido de entrevista rapidamente e compartilhou um pouco da sua trajetória através da entrevista a seguir.

Como é a história do seu blog?

Meu blog teve início quando eu era relatora especial para Direito à Moradia Adequada da Organização das Nações Unidas (ONU) e percebi que era fundamental construir um instrumento de comunicação para compartilhar os acontecimento já que eu era uma relatora só para o mundo todo. Apesar de ser um meio novo rapidamente eu já fui me familiarizando.

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Como você vê a tecnologia transformando as cidades?

Hoje existem diversos aplicativos populares que permitem melhorar nossas condições de transportes, ver o ônibus que tá chegando, conhecer a situação em tempo real do trânsito e com isso escolher percurso, etc.

Além disso a tecnologia pode servir também para processos de democratização da cidade, fornecer uma comunicação mais direta com os cidadãos no cotidiano mas infelizmente não é essa direção que o uso da tecnologia me parece que está indo.

Muitas vezes a gestão tecnológica por trás da ideia de Smart Cities envolve a apropriação dos nossos dados por grandes empresas para nos transformar em consumidores de determinados produtos.

Quais são suas principais fontes de informação?

Eu tenho algumas fontes de informação ou de inspiração, uma delas é a própria web, então lendo o Twitter ou as mensagens que chegam pelo Facebook, dando uma olhada na imprensa eu, a partir daí ,penso em me posicionar, comentar, etc. Mas talvez essa não seja a principal.

A principal são as próprias pesquisas que fazemos como pesquisadores no LabCidade (Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo). Então pra mim usar as redes sociais é usar as informações que eu obtenho no mundo da pesquisa, da investigação acadêmica, dos projetos de extensão, pra poder construir narrativas, muitas vezes contra narrativas, sobre coisas que estão sendo ditas ou repetidas nos grandes meios de comunicação.

Além disso tem minha rede também de contatos, a medida que meu blog e minha página no Facebook foram sendo mais conhecidas eu passei a receber por esses meios também notícias, alertas e iniciativas que eu também vou disseminando e comentando no meu próprio blog.

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Como é o seu relacionamento com os leitores?

Eu não tenho uma página pessoal no Facebook, minha página do blog é o meu perfil no Facebook, meu Facebook é institucional assim como minha conta no Twitter.

A descoberta do Facebook provocou uma enorme mudança, eu comecei a perceber que não bastava escrever as coisas no blog mas que era importante difundi-las através de outros meios e aí comecei a usar o Facebook com o qual eu me relaciono hoje muito mais do que com blog, ali aparecem muitos comentários que eu leio para poder refletir sobre as coisas que eu mesmo escrevo.

Recentemente eu entrei no Twitter e me pareceu também um instrumento muito importante e poderoso de troca de informações. Gosto muito do Twitter no sentido de que ele é muito imediato.

Mas confesso que me incomoda o direcionamento do Facebook: o que é oferecido pra você como informação é definido por um algoritmo que tem a ver com as suas preferências, isso é bem esquisito, porque você torna o pensamento cada vez mais homogêneo, segregando as comunidades.

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Quais dicas você deixaria para quem está começando a estudar arquitetura?

Arquitetura é a construção de uma segunda natureza, uma natureza construída, portanto ela é absolutamente fundamental, não só na sua relação com a natureza original, mas também com todo o entorno, com todo o espaço, ela é capaz de fato de produzir espaços melhores.

Nós temos um problema muito sério hoje que é a submissão do processo de produção da arquitetura as lógicas do financiamento dessa produção. Então para quem vai fazer arquitetura hoje eu digo que preste atenção na produção da cidade real, nas necessidades das pessoas, porque a arquitetura é para suprir as necessidades dessas pessoas.


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