Blogs em Destaque: Renata Tufano

Cercada de livros por todos os lados desde pequena, Renata Tufano não teve muita dificuldade em escolher sua vocação. Entre suas traduções, livros próprios e seu blog a Renata encontrou um tempinho para compartilhar sua história com a gente.

Seu blog atual começou em 2008, é o seu primeiro blog?

E lá se vão quase 10 anos… Sim, foi meu primeiro blog e começou quase como um diário despretensioso. Naquela época eu escrevia sobre tudo que tinha vontade, especialmente moda e artesanato, duas grandes paixões. Há alguns anos, mudei um pouco o foco, para falar mais do meu trabalho com literatura. Mas sempre continuou uma plataforma informal, na qual me sinto à vontade para falar sobre qualquer assunto do meu interesse.

Não tive dificuldades, pelo contrário, a plataforma do WordPress.com sempre foi muito amigável e possibilita edições bonitas para os posts. Escolhi um tema que já não está mais disponível e fiquei muito tempo com ele, até mudar recentemente, mas sempre fiquei muito satisfeita com as ferramentas disponíveis, mesmo as gratuitas.

Antes de traduzir seu primeiro livro há 16 anos como era a sua relação com a leitura e escrita?

Eu nasci num lar de professores: meu pai, Douglas Tufano, é professor de português e autor de livros de gramática e ensino fundamental e médio, além de estudos de literatura. Minha mãe, Célia, é professora de português e francês. Meus primeiros passos foram dados em direção à estante para pegar os livros! Sempre estivemos cercados por eles. O primeiro livro que me emocionou como criança foi “Ou isto ou Aquilo”, de Cecília Meireles. Passávamos tardes lendo e musicando os versos, era maravilhoso.

Como leitora, sempre tive uma preferência pelos textos clássicos e, especialmente, poesia e teatro. Shakespeare, Machado de Assis, Robert Louis Stevenson, poetas como Manuel Bandeira, Emily Dickinson, Christina Rossetti… são tantos que marcaram minha vida como leitora e também como escritora. Depois que me formei em Letras, também comecei a me interessar por teoria literária e textos mais teóricos sobre literatura, mas ainda há uma imensidão para ler e aprender.

Renata Tufano Jornada Nacional de Literatura

Renata em sua participação na 8ª Jornadinha de Literatura

Você tem uma rotina para publicar? Como você concilia o blog com seu trabalho de tradutora?

Alguns anos atrás, eu tinha uma rotina mais rígida: publicava uma vez por semana. Agora, eu publico quando tenho algo para falar. Também percebo que, quando eu comecei o blog, há quase 10 anos, os blogs eram uma rede social e a gente abria os blogs favoritos todos os dias para ver as novidades. Agora, temos outras redes e a informação anda muito rápido. Então, o blog é para aquilo que fica, não para novidades ou notícias passageiras. Pra isso tem o Facebook, o Twitter.

Minhas publicações são inspiradas em filmes que assisto, livros que leio, reflexões sobre as quais estou escrevendo. E é justamente aí que meu trabalho de tradutora e escritora se cruza com o blog: uma coisa alimenta a outra, estão interlaçadas. Digo que meu trabalho é olhar, perceber e transcrever. E isso acontece o tempo todo, quer seja na tradução de um livro, ou montando um post. A vida me inspira.

Como você vê a questão das traduções de fãs distribuídas pela internet que muitas vezes atrapalham editoras no lançamento dos títulos oficiais aqui no Brasil?

Tenho certeza que o mercado terá que se adaptar. Por outro lado, traduções feitas por fãs são movidas por paixão, e não necessariamente tem qualidade, embora algumas sejam surpreendentemente boas. Mas o fã que leu na internet também pode acabar comprando a tradução oficial quando esta sair. Uma coisa não elimina, necessariamente, a outra. Mas as editoras e o mercado de livros realmente tem que começar a pensar na questão do direito autoral e como contabilizar vendas. A internet e seu novo jeito de fazer negócio chegaram para ficar e chacoalhar todo mundo, e o mercado editorial não é exceção.

Vender o suficiente para conseguir pagar a produção de um livro está cada vez mais difícil com o conteúdo virtual disponibilizado gratuitamente, de forma ilegal. As editoras têm gastos para produzir o livro, são dezenas de pessoas envolvidas, gastos com distribuição, divulgação… A pessoa que sobe um PDF de um livro completo acha que está fazendo alguma coisa boa para os leitores e, na verdade, pode estar prejudicando muita gente, inclusive o autor. Aí entramos também no preço do livro, na crise do país… É um nó que vai demorar um tempo para desatar. E muitas mudanças vão ter que acontecer.

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Renata com amigas Dany, Lilian e Ana no lançamento do livro Para Francisco

Como é o seu relacionamento com os leitores e como você usa cada um dos canais?

Muitos leitores me enviam mensagens pelo Facebook e emails. O blog eu considero um portfólio, assim como considero o LinkedIn um currículo online. Para contatos mais imediatos, o Facebook acaba sendo mais prático. Mas sempre respondo prontamente todas as mensagens que recebo, independentemente da plataforma.

O blog já lhe trouxe oportunidades?

Acho que a coisa mais importante que o blog me trouxe são meus amigos e amigas, que começaram a blogar na mesma época que eu e são meus amigos até hoje. Saímos do mundo virtual para o real e hoje não imagino minha vida sem eles. Isso, sem dúvida, foi meu maior ganho.

Também, bem diferente do que acontece hoje com os publi posts, as marcas faziam contato conosco, nos enviavam produtos para teste, desde sapatos até maquiagem, e esperavam apenas um post com uma opinião sincera, não um post coberto de elogios e um link para que os leitores comprassem no final. Não ganhávamos nada para fazer isso. Algumas pessoas me contataram para serviços ou para entrevistas através do blog. Essa plataforma era, e continua sendo, uma boa vitrine para mostrar meu trabalho. Por isso que eu mudei a cara do blog para refletir mais meu trabalho como tradutora e escritora e está um pouco menos casual. O que era mais um espaço de lazer tornou-se uma janela de oportunidade.

Quais dicas você deixaria para quem deseja trabalhar com tradução?

Estude, estude, estude… a língua portuguesa. As pessoas se dedicam bastante em estudar a língua para a qual estão traduzindo e acabam se esquecendo que o tradutor é um arquiteto do idioma, especialmente o tradutor de literatura, que também é um escritor. Precisa conhecer na profundidade, precisa saber gramática na ponta de língua, não acertar por acaso ou deixar para o revisor. Tem que ser profissional. Estudar o idioma estrangeiro é importante, mas saber a língua portuguesa como um linguista, e não apenas como falante, é essencial.

Leia, leia, leia. Em português e em outros idiomas. Aprenda vocabulário, expressões idiomáticas, construções sintáticas. A língua é viva e está sempre em constante mudança. É interessante também treinar o ouvido, conversar com estrangeiros, fazer esforço para ser preciso na sua comunicação. Do mesmo jeito que um consultor de estilo deve estar sempre com uma roupa adequada, moderna e interessante visualmente, o linguista deve chamar a atenção pela sua expressão e comunicação. É o nosso cartão de visita.

Gostaria de deixar alguma mensagem final?

Gostaria de agradecer a oportunidade de dar esta entrevista, muito obrigada! E aos leitores do WordPress.com Brasil, continuem sendo leitores, não só de livros: leiam arte, leiam cinema, leiam música, leiam oportunidades de fazer a diferença e ser a mudança. Continuem lendo, e continuem escrevendo. O mundo precisa disso!


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