Blogs em Destaque: Mondo Moda

Conheça a história do primeiro veículo online de lifestyle em Campinas

Dá pra segmentar um site por nicho de assunto e região geográfica ao mesmo tempo? O MONDO MODA criado por Jorge Marcelo Oliveira mostra que é possível.

Mas pra fazer sucesso é importante estar antenado e se profissionalizar. Hoje o site conta com a colaboração do editor Flávio Casagrande e uma equipe de colaboradores para cobrir os universos da moda, beleza, decoração, cultura, artes, gastronomia, eventos, turismo e comportamento entre outros.

Nessa entrevista convidei o Jorge a contar um pouco da história do MONDO MODA que eu divido com vocês a seguir:

Como nasceu o MONDO MODA?

A versão online do MONDO MODA nasceu após o final de uma coluna num jornal. Como não esperava esse fim, um amigo sugeriu a criação de um blog. Comecei fazer uma pesquisa em formatos diferenciados, principalmente das editoras de moda internacionais que admirava na época. Foi ótimo. Entendi que era possível falar sobre moda, mas ampliando sua definição a outros mercados, como beleza, cultura, arquitetura, decoração, gastronomia, sociedade… Ou seja, a palavra lifestyle, que, na época, era novidade na internet.

MONDO MODA foi o primeiro veiculo online a abordar esse assunto em Campinas e Região Metropolitana.

Pesquisei ferramentas em que pudesse criar um veículo sem a necessidade de contratar alguém para tal função. Durante os primeiros dois anos, ele foi hospedado em um servidor gratuito, porém, ele era muito limitado. Um dia, um amigo sugeriu outros serviços, depois de testar alguns criei um endereço no WordPress.com e… 8 anos depois (mais 2 no endereço antigo) estou por aqui!

Cada dia era um desafio para entender a linguagem da web, formatos de textos, ficar muito atento aos erros de português, utilização de fotos com créditos e tudo mais.

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Como você vê a mudanças da moda em função da tecnologia no dia-a-dia das pessoas?

É um momento revolucionário na informação e produção de conteúdo. A rapidez da informação mudou a forma como as pessoas se relacionam em todas as esferas da vida pessoal, social e profissional. A moda – assim como todas as áreas da criação – sofreu (e sofre) mudanças, principalmente para se adaptar aos desejos de consumo rápido e descartável.

De uma forma jamais vista, vemos o esgotamento de fórmulas, readaptações de estilos e rediscussões sobre sua história na sociedade. As áreas de criação sofrem da falta de novidade. Filmes, livros, artes plásticas, músicas, peças teatrais, novelas, HQs, mostras de decoração, gastronomia, etc., vivem da repetição de fórmulas.

Tudo já foi criado, feito e produzido. O que vemos são reinterpretações daquilo que já foi criado. Só resistirá aquele que ousar nessa nova roupagem.

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As editorias que você cobre no Mondo Moda mudaram muito com a chegada dos blogs e das redes sociais?

Tive uma longa fase de irritação com os blogs. Sentia preguiça das mesmice e da falta de criatividade. Entrevistei pessoas, fiz matérias e escrevi artigos sobre o assunto. Demorei para absorver a ideia da ‘compra de seguidores’, e tudo mais. Até me divertia com os veículos que zoavam das blogueiras.

Um dia, porém, percebi que era um caminho sem volta. E tive duas certezas: a primeira era entender que blogs ou perfis em redes sociais são as únicas formas que pessoas que vivem a margem da sociedade têm para ‘aparecer’. A segunda: a revelação do mundo de ilusão que o jornalismo vive.

Não vou me aprofundar na primeira, pois é um assunto longo. Mas, sobre a segunda, é o seguinte: comunicólogos que foram criados no meio universitário são ingênuos na concepção de sua vida profissional. Alimentam ideias utópicas sobre igualdade de informação. Misturam conceitos de ética. Iludem-se com o conceito da informação sem interferência com a publicidade.

Quando os blogs surgiram, foram os primeiros que ficaram irritados. Fizeram aquilo que são mestres: desqualificaram a todos. Tudo em nome daquilo que acreditavam: a ‘espetacularização’ da notícia. Li e ouvi diversas justificativas: blogs eram feitos por meninas ricas e desocupadas, cozinheiros sem dinheiro para ter um restaurante próprio, decoradoras fúteis ou jornalistas frustrados com a profissão. É, meu caro, jornalista consegue ser tão preconceituoso como qualquer outro cidadão!

Com o tempo, porém, os blogs mostraram que “o negócio era mais embaixo”. O jornalismo não vive sem a publicidade. A pessoa pode dominar a escrita, ser um profundo pesquisador ou um apaixonado por um determinado assunto. Usar todo o seu conhecimento gerar conteúdo para seu veículo. Contudo, se ele não tiver leitores ou seguidores, ele morre na praia. Como muitos morreram e morrerão.

Como ter leitor ou seguidor? Com publicidade e varejo! É uma regra antiga, que, confesso, muita gente esquece.

Em tem mais: os blogs desnudaram a prática do jabá – brindes, mimos, convites para eventos, cafés da manhã, almoços, jantares, viagens, shows, etc. É uma prática que sempre existiu. Estúdios mandam um caminhão de presentes para votantes das premiações, como Oscar, Globo de Ouro, Grammy, etc. O que dirá para os colegas de imprensa? Então… No passado, o jornalista vivia dentro da redação de uma grande empresa de veículo impresso, ganhava ‘gifs’ e não questionava a validade daquilo. Afinal, quem era assediado não era ‘ele’ e sim, a ‘empresa’.

Com a crise no mercado da informação impressa, o fechamento de revistas e jornais e mudanças nas regras da informação, profissionais encontraram espaço de trabalho nos veículos online. Criaram portais, sites, blogs e canais e entraram no mundo das Plataformas digitais. Tornaram-se ‘pequenos empresários’.

Eles precisavam gerar ou reproduzir conteúdo. Pensando de uma forma macro, começaram a reproduzir sugestões de pautas das assessorias de imprensa visando gerar visualizações e conquistar leitores ou seguidores. Conseguiram visibilidade.

Com isso, seu nome foi incluído nos mailings das assessorias, empresas de relações públicas, departamento de marketing, etc, e começaram a receber convites, brindes, mimos e tudo mais.“Abriu-se a Caixa da Pandora”.

Assim como os criticados blogueiros – ou digital influencers, jornalistas começaram a dividir seu espaço nas mesas dos eventos gastronômicos, viagens ou lugares nas plateias de shows ou peças teatrais. Separados ou não por uma cadeira. E as relações mudaram completamente. A palavra ‘Imprensa’ cedeu espaço para ‘Mídia’.

Mas… O lado perverso disso foi o rápido esgotamento dessa fórmula. Como uma bolha, o mercado de blogs explodiu. A grande maioria sumiu. Alguns migraram para outras áreas ou simplesmente desistiu. Uma pequena minoria sobreviveu. Talvez aqueles que tiveram o cuidado de recusar alguns convites. Talvez aqueles que tiveram mais persistência. Talvez aqueles que firmaram melhores parcerias comerciais. Ou talvez aqueles que ainda não encontraram outras profissões. Ou talvez aqueles que eram realmente mais talentosos. Por enquanto, o ‘talvez’ continua a melhor explicação.

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Com tantas editorias como você define as prioridades de publicação?

Atualizo de segunda a sexta. Eventualmente, abro exceções no final de semana, escrevendo artigos que sejam oportunos, mas não sobra muito tempo. Sendo editor chefe, fico muito atento a todas as publicações. Faço correções nos textos, redefino tamanho de fotos e títulos.

Flávio é um excelente crítico. Tem um olhar muito apurado a detalhes. Já apaguei artigos depois que ele me apontou erros ou incoerência. Também é a pessoa que me ajuda na agenda de eventos, dicas e sugestões de pautas. Como ele tem mais paciência para acompanhar o Instagram, continuamente me passa novidades. Quando me interesso, apuro e pesquiso sobre o assunto. Ele também tem uma ótima memória para pessoas e nomes, me ajudando nos eventos sociais.

Os colaboradores têm liberdade na elaboração de conteúdo. Eventualmente passo algumas sugestões, mas deixo-os livres para escrever.

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Como é o relacionamento com os leitores?

Criei um perfil no Facebook assim que foi lançado, assim como fico atento às outras redes sociais. No caso do FB, tenho dois perfis – um pessoal e outro do MM. Ambos são alimentados com informações que publico. O mesmo faço com as outras plataformas. No YouTube, apesar de contar com algumas entrevistas, ainda estou estudando uma melhor forma de integração.

Hoje, respondo a todos os comentários, críticas e sugestões. Mesmo quando alguns parecem não ter lógica. No passado, não tinha tanta paciência e acabava bloqueando alguns. Com o tempo, fui entendendo que até a agressão – que já aconteceu – merece uma atenção para não se tornar algo mais sério.

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Como foi sua jornada pessoal e profissional para se tornar editor do MONDO MODA?

Eu me graduei em jornalismo em 1990. Depois de formado, passei três tentando entrar na área, mas só consegui subemprego. Aí, em outubro de 1993, surgiu uma vaga como produtor de jornalismo. Nos dois primeiros meses, ganhava ajuda de custo, mas agarrei a oportunidade sem pensar duas vezes. Fiquei cinco meses.

Em seguida participei da produção de um curta-metragem, seguidos de outros dois. Fui contratado para trabalhar em produtoras de filmes publicitários e estúdios fotográficos. Nesse meio tempo, fui me aprimorando em produção de figurinos. Também fiz algumas aulas no curso de cinema na área de Multimeios na Pós-Graduação da Unicamp, como aluno especial. Essa fase foi até 2002, quando ‘dei uma pausa’.

Entrei para um grupo de militância de direitos humanos, onde fui eleito Coordenador de Administração e Finanças. Depois, acabei assumindo também a Coordenadoria de Comunicação, no qual comecei a ter contato com o mercado de jornalismo. Um editor de um site voltado ao público LGBT, me convidou a escrever uma coluna de comportamento. Sai da ONG em setembro de 2005.

Logo depois, mergulhei numa extensa pesquisa sobre História da Moda para desenvolver um workshop que ministrei em 2006. Deixei de escrever sobre comportamento para falar sobre moda. Surgiu um convite para escrever para um periódico impresso, seguido de outro para uma coluna de moda jornal semanal. A coluna recebeu o nome MONDO MODA. Nesse mesmo período, fui contratado como Editor de Estilo para trabalhar numa revista distribuída em condomínios, no qual fiquei por seis anos.

Um ano depois, o jornal fechou. Surgiu o MONDO MODA. Seu primeiro formato era como blog, depois site e hoje um Portal de Lifestyle.

Desde, então, muita coisa aconteceu na minha vida profissional. O principal, claro, foi o reconhecimento do meu nome como jornalista especializado em moda. Com o tempo, fui mergulhando no mercado de arquitetura, decoração e gastronomia para escrever com maior propriedade, assim como nas áreas de cultura – cinema, televisão, música, literatura, dança e artes.

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Quais dicas você deixaria para quem quer escrever sobre LifeStyle no Brasil?

Estudar continuamente. Ler o máximo de livros, revistas e jornais que puder. Apesar de parecer, nem tudo está na internet. É importante visitar museus, acompanhar exposições e manifestações artísticas, frequentar mostras de arte e decoração e de cinema. Assistir peças teatrais que não sejam apenas com atores famosos ou Stand Up Comedy. Assistir séries e documentários. Ir a desfiles de moda e frequentar eventos sociais.

Conhecer e se relacionar com pessoas interessantes – de preferencias de áreas distantes do seu universo. Viajar, mas fugir dos lugares comuns. Observar a arquitetura e construções das casas e prédios é um excelente exercício de entender a sociedade. Assim como as igrejas.  Caminhar pelos corredores dos shoppings. Exercitar o lado voyeur. Observar o significado das escolhas – principalmente aquelas que você não gosta, essas são sempre as mais interessantes.

Continuamente, uma pessoa que deseja trabalhar com lifestyle precisa se questionar sobre as mudanças sociais que acontecem dia-a-dia. Tirar os filtros, julgar menos e enxergar o humano. Deixar de se incomodar com a roupa escolhida pelos outros e, isto sim, entender que cada escolha é algo individual.

Os ‘pré-conceitos’ atrapalham nosso olhar. Trabalhar com assuntos ligados ao tempo – no caso do lifestyle – é entender que mudanças sociais sempre são importantes ferramentas para o aprimoramento do ser humano. Elas precisam acontecer para entender o futuro.


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