Blogs em Destaque: A Broadway é Aqui!

Em junho de 2012 nascia o “A Broadway é Aqui!” (ou B! para os íntimos), um site de jornalismo cultural focado no universo do teatro musical. Mantido por Cláudio Martins, Grazy Pisacane e uma equipe de colaboradores

O carinho com que Cláudio e Grazy mantém o site com certeza é um dos principais ingredientes do seu sucesso e os ajudou a construir uma trajetória que tive o prazer de ler através das cuidadosas respostas que eles enviaram para essa entrevista.

Como é a história do B!?

Cláudio Martins: Não tem nada mais digital do que a origem do B!. Minha amizade com a Grazy Pisacane começou no Twitter, quando criei o site em 2012, percebi depois de algum tempo que não conseguiria dar conta do volume de atualizações do site. Então fiz um convite via Twitter para quem fosse de São Paulo e desejasse colaborar escrevendo para o site. Surgiram três meninas, entre elas a Grazy, que também era jornalista, e, assim como eu, gostava muito de musicais. Daí para frente, como falávamos a mesma linguagem (jornalística) começou a nossa parceria.

O site foi crescendo e ganhando importância e mais colaboradores entraram para turma, entre eles fotógrafos que, eventualmente, colaboram em nossas coberturas teatrais. Por conta da comemoração dos cinco anos em 2017, ganhamos novos colaboradores para ampliar nossas frentes de conteúdo, mas ainda focando no teatro musical – o ilustrador Édipo Régis que cria algumas ilustrações de musicais para nós e o visagista Anderson Bueno, que dentro do seu universo de beleza e maquiagem artística, traz sempre um foco no teatro.

Acredito que o que fez o site dar certo é esta “ponte-aérea” no eixo Rio (eu) – São Paulo (Grazy). Conseguimos dar conta das duas grandes metrópoles que concentram as produções de musicais, e, sempre que conseguimos – afinal, além do site desenvolvemos outros trabalhos paralelos – publicamos reportagens sobre outros musicais Brasil adentro.

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Como vocês enxergam o jornalismo cultural dentro das transformações digitais do mercado?

Cláudio Martins: A chamada “revolução digital” do final da década de 1990 pra cá colocou o “poder” nas mãos dos cidadãos, deixando as empresas e grandes corporações de mídia em xeque. Hoje, qualquer pessoa tem em sua mão o aparelho necessário para broadcasting – smartphones. Infelizmente, o jornalismo como um todo vive uma crise e me entristece ver muitos colegas fora do mercado. Sobretudo dentro da área cultura, que conhecidamente são os primeiros a dançar nos famosos “passaralhos” em redações de grandes veículos.

Hoje, eu acredito que quem deseja trabalhar com cultura, ou qualquer outra área, precisa dominar conhecimentos “de fora” de sua área. Olhar para o próprio umbigo e se fechar, às vezes, em uma “linguagem crítico-artística-classicista” é um atestado de óbito. É preciso sim, ter o conhecimento de cultura, saber ler as entrelinhas que os discursos desta área proporcionam, mas também ter pelo menos a boa vontade de conhecer as múltiplas plataformas e ferramentas que existem hoje para produção e disseminação de conteúdo. Acredito que esses saberes precisam andar juntos, porque se você domina as ferramentas, mas desliza na produção de conteúdo, será difícil obter sucesso e reconhecimento.

Grazy Pisacane: O mercado já sinalizava a força do universo digital desde antes do B! surgir. Penso que uma das maiores dificuldades hoje em dia esteja em atrair o leitor e fazê-lo ficar, fazê-lo voltar, em um momento em que existem tantos outros lugares repassando a mesma informação. Quem acessa precisa encontrar tudo o que procura ali, de forma agradável e confiável, e esse é um dos caminhos. Dessa forma, é possível fidelizar um público que se faz presente pelo que encontra, da forma como encontra, e que se satisfaz com isso. Levando em conta que a informação online se fortalece mais a cada dia e que o teatro musical vem sendo muito consumido por jovens, o segredo é saber usufruir da comunicação digital da melhor forma, estar atento aos sinais e aos modismos, sem perder a qualidade o ritmo, pois é isso que acaba se conectando com as pessoas de forma direta e segmentada.

Como o teatro tem se modificado para permanecer atraente para as próximas gerações?

Cláudio Martins: Quando a TV surgiu falaram que ela iria eliminar o rádio, no entanto as rádios ainda estão aí, mesmo que elas tenham mudado seu formato (online, streaming, ou pela via tradicional). É muito diferente “viver” a experiência do teatro do que assistir à gravação de uma peça, embora existam empresas especializadas em transformar peças e disponibilizar para quem quiser adquirir, como a Digital Theatre.

Acredito que a tecnologia trouxe novas ferramentas para aproximar produtores de arte e a platéia. Artistas fazem transmissões ao vivo, criam perfis e páginas em redes sociais para continuar o diálogo com seus fãs para além das duas horas no teatro. Há peças que inclusive, incluem os smartphones de forma interativa dentro das apresentações. Já vi uma peça para o público jovem em que a plateia poderia interagir com personagens via Twitter durante a cena ou votar durante uma competição. Ao final das apresentações, vemos filas para tirar fotografias com artistas que minutos antes estiveram em cena. Tudo isso faz parte desse novo momento de convergência entre arte e tecnologia.

É claro, é preciso saber equilibrar da melhor forma essa equação. Nem toda peça abre margem para a presença do smartphone. Também é preciso “desapegar” dele para se entregar ao que está no palco. Assim, conseguimos “vivenciar” a experiência do teatro. Eu gosto muito de registrar em foto, para mim, o momento de agradecimento dos artistas no palco. É uma hora em que se pode fazer um registro sem medo de ser feliz, é desejo de eternizar um momento agradável. Agora, gravar cenas sem autorização da produção, ou ficar com aquela luzinha no rosto enquanto o artista está ali se entregando no palco, quando o artista está se oferecendo naquele “altar” dedicado à arte – é realmente uma falta de respeito.

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Como vocês dividem as editorias e encontram as pautas?

Cláudio Martins: Essa segmentação foi fruto da evolução do site. Antes, não havia muito critério para publicações, que aconteciam sem datas pré-definidas. Às vezes era bem confuso. Organizando por temas, conseguimos ter uma agenda própria, facilitar a navegação do leitor no site e ajudar também os colegas assessores de imprensa, outra parte fundamental do nosso trabalho.

Graças a Deus, o que não nos faltam são artistas! Eles estão ali freneticamente produzindo arte, peças, espetáculos, shows, apresentações. Isso nos ajuda a desenvolver conteúdo. Com um país de dimensões grandes como o Brasil, não falta assunto. E mesmo assim, ainda complementamos com notícias internacionais que possam interessar nosso leitor, relacionada espetáculos na Broadway, West End (Londres), América Latina, até na Ásia :). Aí vai do nosso faro para saber o que vai despertar o interesse do leitor e organizar essas pautas em cronogramas para darmos conta das publicações. Tal como funciona um veículo de mídia, com a diferença é que nós trabalhamos de forma “remota”.

Grazy Pisacane: Através das editorias conseguimos ter foco e dinâmica no nosso trabalho e acho que esse é o segredo. Quando decidimos abrir o leque e falar do universo do teatro musical de modo amplo, sabíamos que teríamos que ficar mais antenados em tudo e dispor de mais tempo para pesquisar, mas que isso seria ótimo para o leitor, que teria ainda mais informações em um só lugar. Hoje acabamos por favorecer quem mora dentro e fora do eixo Rio-São Paulo, quem tem filhos, quem não abre mão de um bom filme ou uma boa série com música, quem quer estudar e se profissionalizar na área e também quem gosta de acompanhar os trabalhos paralelos daqueles que já admiram em cena, através dos shows solos e outros projetos. Outro ponto alto do B! está na divulgação de audições, oportunidades de trabalho para quem canta, dança, atua ou toca instrumentos musicais. Devido a grande e constante procura, criamos uma área no site especialmente para isso.

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Como é o relacionamento com os leitores em cada um dos canais?

Cláudio Martins: Temos a newsletter, da própria plataforma do WordPress, que envia para cada leitor a notícia na hora em que ela é publicada. Além disso utilizamos bastante o Facebook, que é onde as pessoas passam grande parte do tempo e o Instagram. Já fizemos testes com outros canais, mas estes realmente trazem os melhores resultados em termos de audiência, engajamento e rentabilidade. Sempre procuramos interagir com fãs, além de escoar a produção de conteúdos. Ficamos atentos às tendências do momento – virais, brincadeiras, piadas, memes, gifs – e testamos em nossas comunicações. Fizemos uma ação muito bacana na época do “Gratidão” no Facebook e tivemos um resultado bem bacana em termos de interação!

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Grazy Pisacane: Nosso relacionamento com os leitores é bacana e ao mesmo tempo curioso. Arrisco dizer que 40% das pessoas que nos procurem trazem em suas mensagens perguntas bastante aleatórias. É comum pensarem que temos algum envolvimento direto com produções e produtores, que audicionamos para espetáculos e que temos todas as respostas sobre eles. Não sabemos se é por conta do nome do veículo, ou pela credibilidade que felizmente conseguimos passar, mas recebemos desde currículo com foto até recados para atores, queixas sobre experiências e pedidos de realização de sonhos. Procuramos responder a todos devidamente, ajudando quando possível, mas sempre esclarecendo que somos um veículo jornalístico, de divulgação, sem relação interna com tudo o que escrevemos.

Quanto às redes sociais, o Cláudio tem mais habilidade com o Facebook, já eu lido melhor com o Instagram. Juntos eles acabam divulgando as publicações do site e algumas outras novidades que não viram matéria imediata, mas que não podem passar batido

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Porque você escolheram o WordPress.com?

Cláudio Martins: Eu levei um mês planejando o lançamento do site. Estudando identidade visual e a melhor plataforma para os meus objetivos. Escolhi o WordPress.com após várias leituras e conselhos de amigos. O WordPress.com oferecia uma série de ajustes e funcionalidades que colaboravam para minha visão de longo prazo. Eu sempre planejei fazer algo que não fosse perene, que tivesse longa vida. E por isso escolhi a plataforma do WordPress.com.

O site já lhes trouxe algum tipo de oportunidade?

Cláudio Martins: Para mim trouxe amizades, conhecimento, reconhecimento e clientes. Sim, clientes, relacionados à área do teatro.

Grazy Pisacane: Posso dizer que me tornei jornalista cultural por gostar desse universo, e que a preferência pelo teatro musical nasceu ainda na faculdade, onde já escrevia sobre ele amadoramente. O site acabou me aproximando de pessoas que já admirava da plateia e me abrindo outras portas. Com quase um ano de B! conheci o Marllos Silva, idealizador do Prêmio Bibi Ferreira, por conta de uma matéria que fiz sobre um espetáculo dele, e nessa ele acabou me convidando para ser a assessora de imprensa da primeira edição do evento. Não pensei duas vezes e acabei aceitando. Resultado: não parei mais. Hoje me divido entre duas funções dentro de um mesmo mundo, trabalho com grandes nomes e produções do teatro musical, e me sinto duplamente realizada.

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Que dicas vocês deixariam para quem quer escrever sobre teatro e cultura em geral no Brasil?

Cláudio Martins: Leia. Leia tudo e use as ferramentas digitais a seu favor nessa leitura. Eu uso uma série de recursos para me manter atualizado sobre o que acontece no Brasil e lá fora nesse meio teatral. A partir do momento em que você começa a compreender e dominar o assunto, fica mais fácil escrever sobre ele sem cair em erros ou julgamentos precipitados.

Grazy Pisacane: Falar sobre arte é ir além da simples divulgação do entretenimento, é ser um apoiador da Cultura. É ter a possibilidade de apresentar a oportunidade a quem busca diversão com informação, por isso é preciso ultrapassar as barreiras do release, ir mais fundo. O teatro é vivo, é transformador, precisa ser visto, sentido, entendido, e essa convidativa conexão muitas vezes começa no repasse da informação.

Alguma mensagem para os leitores do blog WordPress.com Brasil?

Cláudio Martins: Gostaria de agradecer o espaço e reconhecimento por conta da comunidade WordPress.com Brasil. E dizer que se você deseja fazer algo, por mais que tenha vontade de colocar em prática de uma hora para outra, planeje. Eu fiz isso e deu certo. Planejar ajuda a prever possíveis dificuldades e apontar oportunidades.


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